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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Tabula rasa



Eu me mudei. Mudei de país. Avancei cinco horas os ponteiros do relógio. Mudei até o tom de voz. Não dizem que isso acontece quando você fala em outra língua?
Depois de tanto tempo eu finalmente fugi de casa. (Voltei pra casa.) E como boa fugitiva não trouxe muitas coisas nas malas, me desapeguei mesmo. No final das contas, a maioria das coisas que nos parecem importantes, são apenas um monte de tralhas sem muito valor, e você só percebe isso quando precisa decidir o que vai e o que fica.  O que você escolheria? O que jogaria fora?
E já que minha vida mudou, decidi que estava na hora do blog mudar também. Mudar de nome, de cara, de sentido. Afinal ele me acompanhou ao longo dos anos e nada mais justo do que ele também se reinventar.Eu escolhi esse novo nome porque eu não quero mais fugir de casa, porque eu estou bem aqui, porque pela primeira vez em nove anos eu estou, de fato, em casa. Eu queria que esse blog continuasse representando um pouco da minha personalidade, que fosse um nome simples e pequeno. E eu sempre andei meio torta sabe? Eu não tenho opinião formada sobre tudo. Sou, admito, um pouco danificada. Sinto que a vida me deixou assim, de viés. Andei por tanto tempo na contra mão que fiquei enviesada.


sábado, 13 de outubro de 2012

The days pile up, silly girl.

I guess that it's typical to cling to memories you'll never get back again
Eu acho que isso é típico se agarrar às memórias que você não terá de novo
And to sort through old photographs of a summer long ago or a friend that you used to know
E solucionar isso através de fotografias velhas de um verão de muito tempo atrás ou um amigo que você costumava conhecer
Happy Birthday To Me - Bright Eyes.

Eu fico imaginando como é que seria minha vida se eu não tivesse me mudado. Me pergunto se seria mais fácil me levantar toda manhã se eu ainda estivesse em casa. Nada de “Força! Levanta. Mais um dia. Levanta!” Eu teria problemas pra dormir a noite? Eu ainda seria amiga do pessoal da minha escola? Será que se tivesse ficado eu valorizaria minha família como o faço agora? Penso em todas as coisas que perdi oito anos atrás. Todas as festas de aniversário, todos os natais. A graduação da turma B, que eu chamava de minha com tanto orgulho. Não pude ver meus primos casando e nem os filhos deles nascendo. Não pude me despedir de gente que nunca mais vou ver. Espero que você entenda que eu perdi uma parte de mim nesse processo, que perdi algo que nunca vou conseguir ter de volta e isso é mais doloroso do que você pode imaginar. Mas espero que você entenda que mesmo que eu tenha chorado o equivalente ao lago de Neuchâtel em lágrimas, mesmo que eu sinta saudade todos os dias. Todos os dias. Mesmo querendo ir embora, eu sou agradecida por tudo que aprendi, por todas as amizades que fiz, por todas as experiências que vivi. Eu perdi muito, mas também ganhei muito. Então é aquela coisa agridoce, aquele sentimento de tristeza e felicidade ao mesmo tempo.

A eu de 1998 não faz a mínima ideia de tudo que ainda vai acontecer com ela. Ela não sabe que com doze anos de idade ela vai mudar de país e que com isso a vida dela nunca mais vai ser a mesma. Ela não sabe de todos os prós e contras dessa mudança. A eu dessa foto ainda não sabe andar de bicicleta. Ela nunca se apaixonou. Ela ainda não sabe o que é ter amigos queridos e nem da dor que é se afastar deles. Ela não sabe que vai amar pessoas que nunca viu na vida, nem que um dia ela vai conseguir conhecer essas pessoas. A eu de seis anos de idade ainda não tem medo de hospital. Ninguém partiu o coração dela. Ela ainda não decepcionou ninguém. A Aline de 1998 não sabe de tanta coisa que ainda vai acontecer, mas a Aline de hoje também não sabe o que vem pela frente então, sei lá...vou continuar por aqui, vendo os dias passarem e tentando acompanhar. Vou continuar indo em frente, mesmo que olhando pro passado de vez em quando. Eu vou continuar.Continuar.Acordar.Levantar.Continuar.E repete. Porque sei que a Aline do futuro vai olhar pra 2012 e pensar em tudo que aconteceu até aquele ponto. E estou pronta pra todas as coisas boas que estão por vir, todas as alegrias e conquistas. Mas também estou pronta pra tudo de ruim, pronta pro que vou aprender com os meus erros. Porque, sei lá, eu meio que sei que minha vida sempre vai ser uma mistura de ruim-boa, feliz-triste, perder-ganhar, prós-contras, sempre vou ter esse sentimento agridoce no peito, mas acredito que a vida é assim pra todo mundo. E me diz: o que a gente pode fazer além de aceitar?

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Blank pages


Num dia você ta ali, com a boca cheia de dentes de leite, sorrindo de orelha a orelha, brincando de pés descalços na rua, ralando os joelhos, acordando cedo pra ver cartoon. Motivo pra chorar, cadê? A maior tragédia do mundo é quando Mainha esqueceu de comprar seu nescau, e pra você dor no coração é chorar assistindo o cão e a raposa. Nessa época, tudo é tão terno e lento, o tempo se arrasta feito lesma. Mas então, em certo ponto, historiadores ainda descobrirão exatamente quando, tudo muda. A vida começa a se mover com presa, escapando entre teus dedos como areia, te deixando sem folêgo. Os natais perdem a magia que costumavam ter, todos os dentes de leite já se foram. Os joelhos ralados são apenas cicatrizes, uma vaga lembrança de brincadeiras de um verão que acabou há muito tempo. Dor no coração agora é quando você vê a vida de um ente querido se esvaindo aos poucos. E tudo d­ói. Dói e arde e sufoca.
Mas perdoe as lágrimas que teimam em molhar meu rosto, perdoe minha vontade de fugir. E se não der pra entender nada: me perdoe. Eu tinha juntando um bocado de palavras na cabeça, criando um discurso pra te explicar tudo, tinha começado um livro pra te contar minha historia, porém fiquei sem voz e as páginas continuam em branco.

sábado, 14 de abril de 2012

And then roll over and die



É inverno então ela deixou o cabelo crescer e te ensinou tudo sobre lâminas afiadas e o peso delas na palma da sua mão, o jeito certo de jogá-las. Ela é uma coisinha pequena e cheia de sorrisos cruéis então você ensina ela a derrubar pessoas com o dobro do peso e do tamanho dela.
- Não pegue leve comigo. Me acerte. - ela comanda.
- Ainda não. - você acha a impaciência dela divertida e quase não consegue conter a vontade de quebrar cada osso do corpo dela. Rasgar cada nervo com uma faca. Destruí-la com as mãos nuas. Mas ainda não.
O tempo passou rápido e ela sente que está correndo em círculos, e essa sensação ruim de estar presa e não ter como escapar não quer deixá-la em paz. Ela deita no chão, enjoada, doente e louca, as mãos na cabeça, os olhos fechados com força.
- Dói. - ela sussurra e você poderia enfiar uma faca no coração dela e acabar com todo esse sofrimento. Mas ainda não. Então você fala sobre lembranças borradas de areia molhada entre os dedos do seus pés e o vento acariciando suas omoplatas. Não que você se importe, mas você precisa dela e não pode deixar que ela enlouqueça completamente. Não pode deixar que ela morra, e se ela morrer vai ser porque você está apertando o pescoço dela. O último suspiro dela te pertence.
Ela nunca pede sua ajuda então quando você a escuta gritando seu nome, desesperada, você corre e corre e corre, mesmo sabendo que não vai dar tempo.
Quando você finalmente a alcança e cai de joelhos ao lado dela, é tarde demais. Você a segura, pela primeira vez delicadamente em seus braços, e você pede que ela fique com você. Não que você se importe, mas você precisa dela. Ela consegue sussurrar o seu nome e dói mais do que ouvir os gritos de alguns minutos atrás. Ainda não, ainda não, ainda não, você suplica, o corpo todo doendo. Ela suspira pela última vez e você a segura mais forte, aquela coisinha pequena e sem vida, e você soluça com o rosto afundado no cabelo dela.
Depois é sua vez de morrer com ossos quebrados e nervos rasgados, e antes de ir você consegue ouvir a voz dela chamando o seu nome, porém não é doloroso como gritos ou sussurros, e ela te fala sobre a sensação da areia molhada debaixo dos pés e do vento salgado bagunçando seus cabelos.
É verão então ela te chama sorrindo de um jeito sabido, estendendo a mão em sua direção:
- Vem.
E você vai.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Agoraphobia


Lembro do dia que você se aproximou de mim durante um intervalo entre uma aula e outra, e me perguntou na cara dura o motivo de eu faltar tanta aula.
"Tenho ataques de pânico." Por algum motivo incompreensível te contei a verdade e você não me olhou torto nem tentou dar uma de médico pra cima de mim. 
(Obrigada, ok?)
Te falei sobre como meus dedos formigam e meu coração dói, e sobre a dificuldade pra respirar. Confessei que choro escondida no estacionamento, e que nas noites que não consigo dormir dirijo até o cais de Carbon Lake e espero a ansiedade passar.
Em março você me deu um cd do Deerhunter como presente de aniversário, afirmando que era a trilha sonora perfeita para minhas escapadas noturnas no bostamóvel, apelido carinhoso que dei ao velho Ford do  meu avô.
Durante as férias de verão tive uma noite de insônia daquelas, na qual nem ouvir o barulho do vento e da água conseguiu me acalmar, então num impulso idiota acabei te ligando.
"Você está no pier?" Você perguntou depois de eu me desculpar por ter te acordado às quatro da manhã.
"Aham." Respondi sentindo falta de ar. "Você pode vir aqui?"
"Claro. Espera uns dez minutos." Você pediu agitado. "Já estou chegando."
Lembro direitinho de você tirando os sapatos e dobrando as calças jeans até os joelhos para sentar ao meu lado e colocar os pés na água. Você segurou minha mão e começou a contarolar Helicopter pra mim:
"Tired of my pain. Im tired of my pain, oh. No one cares for me hum hum hum hum"
Isso acalmou as batidas do meu coração e meu dedos pararam de formigar.
E agora, toda vez que a ansiedade me impede de dormir, basta ouvir o cd Halcyon Digest e ao fechar os olhos consigo te ver claramente, sentado no cais desgasto de Carbon Lake, as pernas balançando na água, ouço tua voz cantando Agoraphobia e o sono vem. E durmo. 
(Obrigada, ok?) 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Where's your gavel? Your jury?

*"Onde está seu martelo? Seu júri?" Trecho de Ignorance do Paramore.
A vingança envenena sua alma, você a destila e a engole et cetera. Oh, você já sabe disso. Todo mundo te alertou. Mas vingança também é algo doce, como uma sobremesa, da vontade de repetir. E que não ousem te julgar, pois afinal, quem é que gosta de sair por baixo? Quem gosta de ser apontado como o idiota da historia?
E você já cansou dos olhares de esguelha, cheios de pena, e dos sussurros pelas suas costas. Então sim, você é vingativa e orgulhosa, mas pelo menos é sincera, sem sorrisos falsos paralizados ou outras coisas do tipo. E você se machucou e chorou, mas que não ousem dizer que você é frágil. Que não ousem te tratar como se você fosse uma maldita boneca de porcelana.

Inspirado pela recente desventura de certa amiga. Tu é foda <3

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Too many corners in my mind


Hoje senti de novo aquela sensação, como se estivesse andando numa rua muita estreita, durante um bocadinho de tempo, e por fim eu encontrasse apenas um beco sem saída. O desapontamento foi tão grande que não tive força e nem coragem pra voltar, sentei no chão e fiquei por lá mesmo. E dai, certo? Que alguém venha me buscar, e me puxe pela mão, e me carregue quando estiver cansada. Que alguém se importe o suficiente pra pelo menos notar que sumi, fugi, perdi, cansei. E não é isso que você quer? Um certo alguém que perceba que você se perdeu e te ajude nessa incansável procura por te mesmo. Uma pessoa que veja atráves teus olhos que teu sorriso é amarelo, que não acredite nos teus não tão raros “é, só uma dor de cabeça.” Acho que todo mundo merece um amigo, ou partente, ou amor, ou sei lá o que assim; um ser vivo que se importe o suficiente para ir te encontrar num beco sem saída, e eventualmente, até ande pela rua estreita, logo atrás de você, pronto pra te segurar caso você tropeçe.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Hypophrenia


*Hypophrenia: Um sentimento de tristeza, aparentemente sem uma causa.
Mas quer saber? Eu não sou infeliz. Eu só sou um pouquinho triste mesmo. Não o tempo todo, e nem com muita intensidade. Mas eu venho carregando essa nostalgia no fundo de mim mesma há tanto tempo que acabei me esquecendo como é que eu era antes. Esqueci como eu costumava me sentir. Não me entenda mal por favor, não estou deprimida, na verdade tenho muita felicidade em mim. Tenho muita coisa pela qual sou grata. E por fora sou toda saturada de cores e tons, mas minha base é toda cinza, entende?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

One more night gone


Eu meio que sou, chata, sabe? Sou uma pessoa exigente e cheia de manias, não que isso seja novidade pra quem me conhece. Também sou muito impaciente. Quero e quero agora! E, nossa, eu quero muitas coisas. Mas nesse exato momento, nessa noite de terça tediosa, só desejo uma coisa: um pouco de paz. Todo começo de ano é a mesma historia, aquela coisa de fazer uma lista gigantesca de metas e planos. Porém nesse primeiro mês de 2012 a única coisa que escrevi na minha agenda foi paz. E o resto? O resto, espero que se torne consequência. Então quero que essa tão desejada paz preencha meu coração, minha alma e cada pedaço de mim. Quem sabe depois disso eu consiga fazer as pazes comigo mesma, e talvez eu até seja capaz de perdoar os erros que cometi no meio do caminho.

Tirando a poeira da Casa. Vou parar de tomar chá de sumiço, prometo. Um beijo ;*

domingo, 25 de setembro de 2011

Sobre medo e unhas roídas



E na hora certa nunca sei o que dizer. Queimei minha língua bebendo café, sujei meus dedos com a tinta da caneta. Eu fico apavorada, com a respiração entrecortada, e sorrio feito uma boba, mostrando os dentes. 
Fico sem graça, com o rosto quente, querendo esconder as mãos trêmulas nos bolsos da calça. Mãos cheias de dedos. Dedos cheios de unhas roídas. Antes de tudo isso eu me orgulhava das minhas unhas longas, sabia?
E na hora certa nunca sei o que devo dizer. O que você quer que eu diga? Escreva um script, desenhe um mapa. Me faça entender, pois insisto: estou perdida.

domingo, 17 de julho de 2011

Up. Growing up.


    People change. Feelings change. It doesn’t mean that the love once shared wasn’t true and real. It simply just means that sometimes when people grow, they grow apart.   
(500 days of summer) 

- Oi. 
Vai embora. 
- Oi.
Um sorriso amarelo.
- Eu soube sobre seu avô. Sinto muito. 
Não sente caralho nenhum. 
- Como?
- País pequeno. Você sabe, todo mundo conhece todo mundo.
Silêncio. Limpar garganta. Lamber lábios.
- Você me odeia, não é? 
Sim. Mil vezes sim.
Não...
- Um pouco.
Dar de ombros.
- Posso te abraçar? 
Sim. Mil vezes sim.
Me envolva em seus braços, me acalente, diga que sou seu bebê. Diga que tudo ficara bem, que milagres existem. Finja que ano passado não aconteceu. Me beije. Me ame. Me ame. Por favor, me ame. Eu preciso desesperadamente que alguém me ame.
Eu vou cair, então me abraçe forte e não permita que eu atinja o chão. Não me deixe ir embora. Não vá embora. 
- Não.
- Por quê? 
Eu vou cair, vou ralar os joelhos, os cotovelos e as mãos. Vou ficar de coração partido e chorar. Eu choro demais. Mas mesmo assim levantarei, sem sua ajuda e sem a de ninguém. Eu aprendi a me virar sozinha. Aprendi a dizer “não” “agora já chega” “vai se fuder”. Enfim. 
- Eu cresci.


domingo, 17 de abril de 2011

Follow the white rabbit



Eu tenho dezenove anos, estou no escuro, andando descalço no chão frio, caminhando pela primeira vez numa rua desconhecida. Não sei pra onde estou indo, só sei que vou embora, em busca de não sei exatamente o que. Estou seguindo um coelho branco chamado Recomeço.
Eu tenho dezoito anos, passei no vestibular, tive medo, fui feliz, ri mais do que chorei e talvez, esse tenha sido o melhor ano da minha vida. Eu tenho dezessete anos e nunca me senti tão perdida e sozinha. Tenho dezesseis e não consigo esquecer, mesmo fingindo o contrário, mesmo mentindo o tempo inteiro. Tenho quinze anos e você acabou de partir meu coração. Tenho quatorze e estou, girando um girassol entre minhas mãos. Gira Gira Girassol. Eu tenho doze anos e vi meu pai chorar pela primeira vez. Naquele ano o Recomeço veio atrás de mim e a mudança aconteceu contra minha vontade. Eu tenho dezenove anos e estou vendo na Tv aquelas pessoas perdidas, finalmente se achando. A mulher sentada no avião diz: You can let go now. Mas seguir em frente não é tão fácil assim quando você não sabe mais andar sozinha e tem medo do escuro.
Hoje estou caminhando no escuro sozinha, com passos incertos, nessa rua desconhecida. Estou seguindo um coelho branco chamado Recomeço.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A pulseira desbotada.


Vermelho-sangue, azul-marinho, amarelo-ovo em volta da minha pele bronzeada. Algumas pintinhas cor-de-chocolate. Cheiro de protetor solar. O reflexo do meu rosto nas lentes escuras dos seus óculos. Cheiro de alga.
- Amor vincit omnia. Bela frase.
- Poucas pessoas entendem.
- Porque é latim. Amor em latim é amor.
Uma camisa amarela e preta. Cheiro de amaciante. Risos e mãos dadas.
- Sua amada Roja ganhou uma estrela no peito. Contente?
- Sí. Me sinto como uma mãe orgulhosa.
Vermelho-sangue. Azul-marinho. Amarelo-ovo.
- Agora que a Copa acabou você vai tirá-la?
- Não. Eu gosto dela, vou usá-la até ela rasgar.
Vermelho-sangue. Azul-marinho. Amarelo-ovo. Pele bronzeada.
- Sabe, as cores vão desbotar e ela vai ficar feia.
- Eu não me importo. – a mania de dar de ombros.
Sol, chá gelado, grama, framboesas furtadas, o banquinho, pele, amor. Em latim. O fim do verão. Gosto de lágrimas cheiro de tempestade. Choro quente e chuva fria; choque térmico. Despedida.
- Não vamos gastar nosso latim com promessas vázias.
- Vamos simplesmente desbotar? – incredulidade.
- Sim. – tristeza conformada.
- Amor em latim é Amor.
Um mês de verão, duas pessoas, três cores. Uma frase em latim.
- É, eu sei.
Você tinha razão, as cores desbotaram. Vermelho-sangue-com-água. Azul-opaco. Amarelo-quase-branco. Pele desbotada.
Nós desbotamos, as cores também, mas a pulseira ficou.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Falling in love its falling a part.

Você pediu para que eu escrevesse algo sobre você, na verdade, não foi bem um pedido, tava mais pra uma ameça. Lembro da sua expressão quando eu disse que iria pensar no assunto e ela ainda me faz rir.
"Eu não aceito não como resposta!" você exclamou esbugalhando os olhos, com esse seu jeito meio escandaloso e birrento ao ser contrariado.
Tivemos essa conversa há algum tempo atrás, mas parece que já se passaram anos e anos. Era um domingo quente de verão, umas oito horas da noite, contudo o sol ainda brilhava no céu, estavamos sentados no banquinho de sempre e você deitara sua cabeça em cima das minhas pernas. Eu estava usando a sua camiseta, que eu roubara no começo das férias, mas você não se importava, como também não se importava quando eu passava as mãos nos seus cabelos, assanhando-os, e depois ria que nem uma mongol. Você dava de ombros e ria também. Rir era algo que faziamos quase o tempo inteiro, e talvez, entre tantas outras coisas, sua risada seja a que sinto mais falta. 
Às vezes, você conhece uma pessoa maravilhosa, mas apenas por um rápido instante. Talvez em férias, num trem ou até numa fila de ônibus. E essa pessoa toca sua vida por um momento, mas de uma maneira especial. E, em vez de lamentar o fato de ela não poder ficar com você por mais tempo ou por você não ter a oportunidade de conhecê-la melhor, não é mais sensato ficar satisfeito por ter chegado a conhecê-la um dia? (Melancia - Marian Keyes)
Aline está chateada pois o texto ficou uma grande bosta.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Paradoxal


Será que nesse ponto da estrada poderiamos começar tudo de novo? Será que os quatro anos que ficamos sem nos ver, sem nos falar não diminuiram nossa cumplicidade, digo, você mudou e eu também mudei. E de repente parecemos completos estranhos. Algo desconhecido e familiar ao mesmo tempo, um paradoxo como diria minha professora de Literatura. Eu sinto como se eu não te conhecesse mais, porém, por outro lado, você sempre fecha os olhos quando está sorrindo, e isso soa tão familiar que chega a fazer meu peito doer.
Esses dias tenho me lembrado muito daquela época, tudo era tão fácil, tão simples, sabe aquela coisa de "eu era feliz e não sabia"? É mais ou menos isso. E já perdi tanto tempo desejando poder voltar para aquele tempo, mas agora as lembranças bastam. É claro que dói, às vezes, quando dá duas horas da manhã e não consigo dormir, bate uma saudade insuportável e eu vou me afogando nela aos poucos. Mas, então, finalmente chegou a hora de matar essa saudade, de subir até o topo da nossa árvore e ficar com medo de descer, de andar de pés descalços na grama molhada, de sentar na calçada no final da tarde, de comer framboesas e ficar com os dedos vermelhos, de ouvir o som agradável da tua risada, sentir teu cheiro...e quer saber, eu tou contando cada segundo.
P.s: Vou viajar sexta-feira *-* Obrigada pelo apoio nos comentários, significou muito pra mim, de verdade.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Somewhere, somehow we'll be together

"Um dia, quando estivermos mais velhos, vamos nos casar e teremos três filhos; um menino, uma menina e um cachorro, e seremos uma família tão feliz. No domingo de manhã, nossos filhos estarão brincando de baixo da mesa com o cãozinho, e nós dois vamos estar sentados frente a frente, olhando nos olhos um do outro como estamos agora. Teremos uma casa azul com um quintal grande para podermos brincar com as crianças e fazermos churrascos durante o verão. Às vezes brigaremos, por causa da sua tpm ou por causa que sou teimoso, mas sempre vamos acabar fazendo as pazes. E continuaremos juntos, mesmo quando estivermos velhinhos e rabujentos, porque eu te amo e quero passar o resto da minha vida com você. E mesmo que nada disso aconteça, terá válido a pena, só pelos momentos inesquecíveis que já compartilhamos." Fala do D. em uma das minhas fics.

domingo, 6 de junho de 2010

Sobre uma garota com insônia


Cento e cinco palavras. Flores murchas. Canções de ninar.

Darling, lembro das cores do céu quando o sol se põe, mas esqueci o sabor dos seus lábios. Guardei em uma caixa todas as cartas que você me mandou, aquelas palavras de algodão doce, lembra? Mas aos poucos você foi se afastando, aos poucos o brilho dos seus olhos foi sumindo. As flores murcharam. E eu sinto a sua falta, todos os dias, o tempo todo. A dor não parece tão ruim de manhã, mas vai ficando pior quando anoitece. Sabe, eu não consigo dormir direito sem sua voz murmurando canções de ninar no meu ouvido. Então, por favor, faça com que eu esqueça as cores do pôr-do-sol. Porque quero lembrar do sabor dos seus lábios.

domingo, 30 de maio de 2010

Um mar de tristezas


'' ... Se meus olhos mostrassem a minha alma, todos, ao me verem sorrir, chorariam comigo ... '' - Kurt Cobain

Eu fico olhando para essa folha em branco, pensando no que escrever, pensando nas palavras que devo usar para descrever o que eu sinto por você. E minhas tentativas parecem vãs. Como eu poderia falar sobre alguém que eu sequer conheço? Um alguém que eu nunca vi, com quem nunca falei e que morreu dois anos depois que nasci, mas que eu, de algum modo, amo profundamente. Tudo começou com seus olhos. Sempre foram seus olhos, azuis e tristes.  Eu nunca vira obres tão cheios de magoa antes. Podem até achar que sou uma adolescente estúpida que gritaria histericamente por você e que passaria o dia todo falando sobre a vontade que tem de te beijar. 
Porém se você ainda estivesse aqui eu só teria vontade de te abraçar. Eu te diria o quanto você é importante, te diria que tudo valhe a pena. Que a vida valhe a pena. Mas você não está mais aqui, não é mesmo? Então, talvez, eu deva seguir o conselho do meu pai, talvez eu deva parar de chorar quando escuto você cantando “Come as you are”, talvez esteja na hora de tirar o poster da parede atrás da minha cama e de guardá-lo no sotão juntamente com todos os cds. Talvez esteja na hora de esquecer você. 
Mas ontem à noite eu sonhei que estava olhando para o oceano e de repente eram seus olhos azuis que fitavam os meus. Você estava lá, sentado na minha frente, com o vento bagunçando seus cabelos e sorrindo. Você estava sorrindo pra mim. Eu acordei chorando quando percebi que era somente um sonho, não faz muito sentido não é? Então, talvez, seja melhor eu te esquecer, porque eu preciso desesperadamente de alguém que sorria para mim daquela forma, de alguém de carne e osso que me ame de volta e que não viva somente nos meus sonhos.

Esse texto era pro Sílaba tônica, mas a mongol aqui se distraiu vendo Lost e esqueceu de vir postar e agora já saiu o resultado do concurso, então fica sendo como uma pequena parte de Like a Boy! E não, o texto não é sobre mim. Eu amo o Kurt Cobain, mas pra escrever isso me coloquei na pele da Michelle, uma personagem de uma fic original minha! Beijos ;*

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pintando sorrisos

Photobucket

Queria saber voar, mas não possuia asas. Queria cantar, porém não tinha voz. Queria desenhar, mas não tinha habilidade. Não queria ser solitária, mas só sabia pintar sorrisos amarelos. Desejava ser calma, contudo não sabia falar baixo. Queria ter mais amigos, entretanto era tímida. Não queria ser tão distraída, mas não conseguia parar de sonhar acordada. Queria alguém para chamar de seu, mas não sabia amar. Queria fugir, mas não sabia correr. 
Queria escrever... então escrevia.

Aline odiou esse texto, mas não tinha outra coisa pra postar.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Im a hurricane full of lies


Eu vou fingir que não me importo, que esqueci seu nome, que não sinto saudades. 
Que não sinto nada. 
Vou fingir que te esqueci e que não te amo mais. 
Que nunca te conheci. 
Eu vou mentir pra todo mundo, mesmo que eu não consiga me enganar. 
Vou mentir, mas você é melhor nisso do que eu, não é?
Vou mentir porque...já não sinto mais nada.

Aline está cansada de mentiras.